sábado, 19 de dezembro de 2009

1 - TELEVISÃO – VEÍCULO DE MASSA

A televisão no Brasil é considerada um fenômeno cultural importante por muitos estudiosos, se não o mais importante, da segunda metade do século XX. Chegando no Brasil em 1950, com Assis Chateaubriand, a TV Tupi foi a primeira emissora da América Latina, começando em São Paulo.
No início dos anos 90, segundo o livro Um Perfil da TV Brasileira, de Sérgio Mattos (Bahia: A TARDE, 1990), a televisão brasileira contava com 183 emissoras. Hoje, o Brasil conta com 5 grandes redes (Globo, SBT, Record, Bandeirantes e RedeTV!) e muitas centenas de emissoras a mais, como dizem os pesquisadores Sérgio Capparelli e Venício A. de Lima em Comunicação & Televisão: Desafios da Pós Globalização (São Paulo: Hacker, 2004).
Em 2002, a Globo tinha 113 emissoras próprias, associadas ou afiliadas, cobrindo 98,91% dos domicílios com televisão no país, com uma audiência de 51% das 18h às 24h e uma participação de 78% no bolo da publicidade; o segundo grupo, o SBT, tinha também 113 emissoras próprias, associadas ou afiliadas, cobrindo 97, 18% dos domicílios com televisão no país, com uma audiência de 25% das 18h às 24h, sem dados relativos à participação na publicidade; os grupos restantes (Bandeirantes, Record, RedeTV!, CNT, Gazeta e outras) participam na audiência das 18h às 24h sempre abaixo de 6%. (2004, p. 84).


1.1 A venda de televisores em números

Segundo pesquisa divulgada em 2007, Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobrás, 97,1% das casas brasileiras têm, pelo menos, uma televisão. O número, segundo o Estudo, é maior que o de geladeiras, por exemplo. A pesquisa foi realizada entre dezembro de 2004 e julho de 2006, em 18 Estados e 21 concessionárias, que representam 92% do mercado.
Outra pesquisa, realizada em 2009, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mostra um percentual um pouco mais baixo que a da Eletrobrás, em números de televisores. Segundo o Estudo, 95,1% dos domicílios possuíam televisores. A mesma pesquisa apontou que, no Nordeste, existem mais lares com computador do que com freezer e máquina de lavar roupas.
Mesmo com essa pequena diferença entre os índices, é notória a presença da televisão na sociedade. Quem comemora é o setor industrial, que sente o crescimento do consumo em números. Em 2008, o mercado vendeu 2,5 milhões de TVs de Plasma e LCD, segundo a Agência de notícias Estado. O volume é mais que o dobro do ano anterior.
A queda nos preços dos aparelhos mais sofisticados provocou uma redução nas vendas dos televisores convencionais, que ainda dominam o mercado. Da venda projetada de 9,5 milhões de TVs este ano, 7 milhões serão de aparelhos convencionais. No ano passado, as vendas de TV convencional atingiram 9 milhões de unidades. (2008).


Mas a venda de computadores também cresceu. Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que a venda destas máquinas tiveram aumento de 16% em 2008, com relação ao ano anterior. São 60 milhões de computadores em todo o Brasil. Até o ano 2012, a expectativa da FGV é de que exista um computador para cada dois habitantes.
Mas o IBGE mostra que, apesar do crescimento acelerado, o número de computadores ainda é pequeno, principalmente na região Nordeste. Segundo o Pnad 2008, apenar 3 em cada 10 domicílios contam com um computador. Desse total, 56% está na Região Sudeste.

1.2 Televisão na Era da Internet

Muito se fala que a televisão, em breve, perderá lugar para a Internet. Segundo uma pesquisa divulgada em Novembro de 2009, pela agência de notícias Reuters e feita pelo grupo Synovate, de marketing, apontou que a internet supera a televisão como mídia preferida em boa parte do mundo, inclusive no Brasil. Os números do crescimento não deixam dúvidas de que a web está crescendo em ritmo acelerado. Segundo o Pnad, em 2007, 11,1 milhões de pessoas tinham acesso à rede. O número saltou para 13,7 milhões no ano seguinte, representando um crescimento de 3,28%.
Já o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) apontou, em Agosto de 2009, que 64,8 milhões de pessoas acessavam internet de casa e do trabalho. A pesquisa diz ainda que o tempo médio do brasileiro conectado, por mês, é de 48 horas e 26 minutos. Ainda de acordo com o estudo, os números colocam o Brasil como líder mundial em tempo de acesso à internet.
Apesar do aumento significativo de usuários de internet, é de se considerar que o Brasil é um país de um grande número de analfabetos. Segundo o estudo Mapa do Analfabetismo no Brasil, publicado em 2003, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 16 milhões de brasileiros são analfabetos, seguindo os padrões do IBGE para classificar alguém assim. Para o Instituto, são consideradas analfabetas as pessoas que não são capazes de ler e escrever um bilhete simples no idioma que fala.
No entanto, muito se fala em analfabeto funcional. São aqueles que não concluíram, pelo menos, quatro séries de estudos escolares. Usando este critério, o número de brasileiros analfabetos é quase o dobro: 30 milhões, com idades acima dos 15 anos
Curiosamente, observa-se também que a maioria dos analfabetos absolutos, de acordo com a pesquisa do Inep, está em alguns dos Estados brasileiros mais desenvolvidos economicamente.
Do total de analfabetos absolutos entre os Estados, constata-se que cinco deles (Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará) respondem por cerca da metade dos analfabetos do País (...) Em termos relativos, as maiores taxas de analfabetismo estão em municípios localizados nas Regiões Norte e Nordeste. Esse quadro é preocupante em função das baixas condições socioeconômicas dessas localidades que, diante de suas características, promovem a manutenção dessa situação de exclusão social. (2003, p. 6).


Tem-se, aí, a grande vantagem da televisão sobre a internet: o alcance. Por ser um veículo que utiliza, principalmente, a linguagem visual e falada, atinge a todas as camadas sociais, principalmente àquela formada por analfabetos. Vera Íris Paternostro identificou essa vantagem no livro O Texto Na TV, quando diz que este veículo “independe do conhecimento de um idioma ou da escrita por parte do receptor” (1999, p.64).

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