sábado, 19 de dezembro de 2009

4 – A VOZ DA COMUNIDADE

Em 1991 entrava no ar o telejornal Aqui Agora, no SBT. Entre reportagens sensacionalistas e manchetes escandalosas, o programa tinha também uma linha de matérias com forte apelo popular. Depois dele, muitos outros programas policiais começaram a invadir a grade de programação de emissoras nacionais e locais. Entre um crime e outro, o jornal exibia matérias de cunho comunitário, como o quadro de defesa do consumidor, apresentado por Celso Russomano.
Nesta parte do programa, consumidores que se sentiam lesados, de alguma forma, eram colocados frente a frente com prestadores de serviço. O caso normalmente era resolvido depois de muitos minutos de negociação. O bordão “Estando bom para ambas as partes, Celso Russomano aqui e agora” ficou conhecido no Brasil inteiro. A popularidade do quadro levou Russomano a eleger-se deputado federal.
Fazer a comunidade participar de telejornais é uma estratégia para aumentar audiência que dá certo. Várias emissoras já comprovaram isso em números. Na Rede Globo de Televisão, por exemplo, os jornais locais que vão ao ar ao meio dia têm grande apelo popular, como formato padrão.
Na TV Pajuçara, o principal jornal diário, o Jornal da Pajuçara Noite (JP Noite), prioriza as matérias factuais, que caracteriza o estilo editorial do hard news. Em Telejornalismo No Brasil: um perfil editorial, Guilherme Jorge de Rezende define esta linha editorial por notícias que “referem-se geralmente a acontecimentos não previstos na pauta e têm de ser veiculadas naquele dia” (2000, p. 33). Mas nem só de factual é feito o Jornal da Pajuçara Noite. Para atrair audiência e retratar o slogan “do jeito da nossa gente”, da TV, as denúncias de telespectadores ganham um espaço quase diário no jornalístico.
Em entrevista, a produtora do Jornal da Pajuçara Noite, Renata Pais, classificou a sugestão de telespectador como um dos principais geradores de pautas.
No Jornal da Noite, priorizamos o factual e a sugestão de telespectador, que chegam à nossa redação por telefone e e-mail, basicamente. As informações são checadas e avaliadas pela equipe de produção dos jornais. (...) Acontece de voltarmos a entrar em contato com a pessoa que fez a denúncia para saber se a matéria fez efeito e, normalmente, o resultado é bem positivo. (...) Deixamos sempre claro no jornal quando a sugestão é feita por um telespectador e isso acaba atraindo outras pessoas para sugerirem também. (ENTREVISTA, 2009).


As matérias que apresentam denúncias mais fortes contam com a versão do órgão responsável pela resolução do caso mostrado, sendo eles, geralmente, algum representante dos governos municipal ou estadual. Em outros casos, a versão do órgão competente é dada por Nota Pé, definida por Flávio Prado, no livro Ponto Eletrônico: Dicas para fazer jornalismo com qualidade:
Às vezes acontece de, ao final de uma matéria, você ter de dar informações complementares que, por diversos motivos, não entraram na cabeça nem no trabalho do repórter. Nesse caso é preciso escrever uma lauda a mais acrescentando o que for necessário. Essa lauda é a nota-pé. Normalmente é usada para endereços e telefones dos locais apresentados nas matérias ou para atualizar e complementar a notícia com fatos que aconteceram após a saída do repórter do local. Serve também para dar uma versão de um dos envolvidos na notícia, que, por alguma razão, não foi entrevistado. (1996).


A partir de agora, esta pesquisa vai exemplificar como as denúncias apresentadas pelo telejornal Jornal da Pajuçara Noite mudam a rotina de uma comunidade. Abaixo, serão mostrados alguns casos relevantes apresentados pelo programa e o que aconteceu depois da veiculação da reportagem.

4.1 Exemplo clássico de denúncia

A prática do Jornalismo Comunitário exige que as denúncias sejam levadas a sério pela equipe de jornalismo. Não é preciso apenas fazer a matéria, mas atentar para a resolução do problema. As reportagens precisam de acompanhamento constante, até que os problemas sejam resolvidos.
No caso da Escola Estadual Maria Ivone dos Santos, houve um acompanhamento da equipe de jornalismo da TV Pajuçara sobre os problemas apresentados pela comunidade. Como parte disso, por várias vezes, a equipe do Jornal da Pajuçara Noite entrou em contato com a diretora da instituição, para acompanhar o andamento das respostas da Secretaria Estadual de Educação às denúncias apresentadas por servidores e alunos.
A primeira cobrança dos alunos da Escola Estadual Maria Ivone dos Santos era bem antiga. As obras da instituição de ensino começaram em 2005. Já era Abril de 2009 e a Escola ainda estava em obras. O prazo dado pela Secretaria Estadual da Educação e do Esporte já havia sido prorrogado incontáveis vezes e a população cobrava por uma resposta.
Em um protesto, alunos, pais e professores usaram roupas pretas para simbolizar, segundo eles mesmos, a insatisfação e o descaso com a educação do Estado.
Na época, uma funcionária do colégio, Cláudia de Araújo, admitiu que a obra estava quase concluída, faltando apenas alguns retoques, como colocação de portas e reparo nas pinturas. A população denunciava um impasse financeiro entre a Secretaria e a construtora responsável pela obra, que prometia adiar ainda mais a entrega da escola.
A matéria foi ao ar no dia 29/04/2009, com o posicionamento da Secretaria Estadual de Educação e Esporte em Nota Pé. A assessoria de imprensa do órgão informou que a escola não tinha sido entregue até aquela data porque a construtora não apresentou um documento exigido para a liberação do pagamento. Segundo a Secretaria, a obra seria concluída no ato da entrega da documentação correta. Em relação à falta de segurança, o 5º Batalhão de Polícia Militar garantiu visitar o local como Batalhão Escolar.
Em outubro, procurada por esta pesquisa, Cláudia de Araújo disse que a Escola foi entregue com algumas pendências. Entre elas, o terreno do local é acidentado, a quadra de esportes presente no projeto inicial nunca existiu e algumas instalações elétricas não foram feitas, o que acarretou na impossibilidade de ligar computadores e ventiladores.
A reportagem do Jornal da Pajuçara Noite voltou ao local. Como resultado, o repórter Lucas Malafaia encontrou, logo ao chegar à Escola, alunos servindo de porteiros. Por falta de efetivo, a diretora da instituição fazia este serviço. Quando ela estava ocupada, os alunos tomavam o lugar.
Durante a matéria, o repórter Lucas Malafaia relata:
A escola não tem nenhum porteiro. Segundo direção, a unidade deveria contar ainda com dezoito auxiliares de limpeza, mas apenas cinco trabalham por aqui. Também faltam merendeiras, agentes administrativos e professores (2009).


Durante a matéria, ficou claro que estes são alguns dos problemas enfrentados pela instituição de ensino. Na reportagem, a diretora, Maria Sueli Alves cobra com urgência o aumento do muro da escola, muito baixo para uma região considerada perigosa. A diretora contou que já havia mandado um ofício para a Secretaria de Educação e aguardava um retorno.
Outra reivindicação é o acervo de livros da biblioteca, que se encontrava no almoxarifado da Secretaria de Educação.
Em Nota Pé, a Secretaria de Educação informou que o Governo não pode contratar novos funcionários para a escola, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, a Secretaria prometeu que uma equipe do órgão visitaria a instituição no dia seguinte à veiculação da reportagem para avaliar a reforma do muro. Sobre a biblioteca, a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação informou que a repartição identificou um erro no pedido feito pela direção da escola.
A pesquisa voltou a entrar em contato com a funcionária Cláudia de Araújo depois da segunda reportagem veiculada pelo telejornal analisado. Ela relatou que até o dia 21 de outubro de 2009, portanto, dezesseis dias depois da reportagem, a Secretaria da Educação e do Esporte ainda não havia resolvido o problema dos alunos e da instituição de ensino.

4.2 A denúncia que não deu certo

Por motivos imprevistos, algumas denúncias, no entanto, não conseguem surtir o efeito desejado perante os órgãos competentes. Quando isso acontece, é como se o objetivo final do Jornalismo Comunitário, de fazer com que os problemas sejam resolvidos, não fosse alcançado. Foi o que aconteceu com uma reportagem veiculada em Março, pelo Jornal da Pajuçara Noite.
Uma funcionária do posto de saúde da Cruz Vermelha, em Maceió, ligou para a redação do JP Noite para denunciar um protesto que aconteceria no dia seguinte, em 18/03/2009. Funcionários e pacientes da Unidade de Saúde iriam protestar para que o Município desse, pelo menos, a verba de custeio, para que fosse possível manter a casa de saúde. Caso contrário, ela seria fechada e os cerca de 1.500 pacientes atendidos todos os meses, ficariam sem o posto.
Na hora marcada, o repórter Lucas Malafaia esteve no local. Pequenos protestos, de cinco minutos, em média, fecharam a Avenida Gustavo Paiva por algumas vezes. Entre os gritos de ‘Queremos posto!’ por parte da população e as buzinas insatisfeitas de motoristas prejudicados pelo protesto, a diretora do posto, Sônia Venir, contou ao repórter que, muitas vezes, é preciso que os profissionais de lá comprem os materiais necessários para trabalhar. “Todos os profissionais que trabalham aqui, nós estamos nos cotizando, comprando material de limpeza, abaixador de língua, luvas, espéculo, com o nosso próprio recurso, para não parar a unidade.” (2009). A diretora do posto disse ainda, que faltava material de limpeza e medicamentos.
A presidente da Cruz Vermelha em Alagoas, Maria Helena Russo, concedeu entrevista ao repórter. Ela contou que a instituição é solidária ao protesto, mas que o Município precisaria tomar uma posição.
A produção do Jornal da Pajuçara Noite não conseguiu contato com a Secretaria Municipal de Saúde antes de veicular a reportagem. Mesmo depois de a matéria ir ao ar, a TV Pajuçara não foi procurada pela Secretaria, e não recebeu nenhuma resposta do governo Municipal sobre situação dos manifestantes.
Inconformados com a omissão das autoridades, funcionários e pacientes realizaram outro protesto 12 dias depois, com as mesmas reivindicações. A Secretaria continuou sem dar respostas.
Sete meses depois, este Trabalho procurou a equipe do Posto de Saúde da Cruz Vermelha. Os funcionários informaram que a unidade de saúde continua funcionando na mesma situação precária de antes e que a Prefeitura nunca deu ajuda a eles.
Neste caso, o Jornalismo Comunitário cumpriu apenas a primeira parte do objetivo: Mostrar os problemas de um nicho da sociedade; Porém, a segunda parte, que é a de cobrar por soluções, não foi cumprida, pois a Secretaria de Saúde do Município, por algum motivo, não foi ouvida. Atualmente, os médicos ainda precisam comprar equipamentos e materiais de trabalho por conta própria, mas a população não deixou de ser atendida.

4.3 A denúncia com personagem

Algumas vezes, o Jornalismo Comunitário utiliza a figura de um cidadão isolado para retratar uma realidade vivida por várias pessoas ao mesmo tempo. A elas, dá-se o nome de personagem. É um trabalho de produção, muitas vezes difícil, e que depende do conhecimento pessoal de cada um da equipe. O personagem, algumas vezes, é um parente ou amigo de alguém da redação, ou alguém que liga para reclamar de alguma coisa e se dispõe a contar seu caso na televisão.
No caso desta reportagem do Jornal da Pajuçara Noite, a equipe de produção contou com a ajuda da repórter Rachel Amorim, que recebeu a sugestão de pauta de um homem, enquanto fazia uma matéria na rua.
Ele (o personagem) me abordou quando eu terminei (uma matéria lá mesmo, no Detran, sobre outro assunto). Me contou o caso dele e me deu o telefone. Eu passei adiante, para uma das produtoras do Jornal e ela ligou para conferir. Depois, a produção entrou em contato com o Detran e constatou que o problema dele era o mesmo de muita gente. Neste caso, cabe fazer uma matéria para esclarecer o que está acontecendo e cobrar para que seja resolvido. (ENTREVISTA, 2009).


Quando há uma denúncia, existe a necessidade de fazer o possível para ouvir todos os lados da história na mesma matéria, sem que seja necessária a entrada de uma Nota Pé, lida pelo apresentador. No caso desta reportagem, os dois lados envolvidos na história foram ouvidos: Quem reclamava e o responsável por resolver os problemas reclamados.
O personagem que sugeriu a matéria é o motorista Flávio Rogério. Há mais de um mês, tentava tirar a segunda via da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo ele, a resposta do Departamento Nacional de Trânsito em Alagoas (Detran/AL) era sempre a mesma: “Que o sistema está fora do ar. (...) Pelo menos duas vezes por semana eu estou aqui, e o sistema continua fora do ar” (Jornal da Pajuçara Noite, 2009). Como não conseguia resolver o problema, o motorista que não podia dirigir, foi demitido.
A equipe do Jornal da Pajuçara Noite constatou que o problema de Flávio não era um caso isolado. O repórter Lucas Malafaia conta, na matéria veiculada em 27/04/2009, que cerca de 6.500 processos estavam parados no Detran, entre primeira CNH, renovação e segunda via, ou seja, era um problema de alguns milhares de pessoas.
A reportagem ouviu o coordenador de Controle de Condutores do Detran, Sérgio Ronaldo. Ele explicou que o atraso na entrega dos documentos foi motivado por conta do novo Sistema Nacional de Dados, que começou a ser implantado no dia 11 de fevereiro.
Em uma rápida pesquisa na internet, é possível constatar que, de fato, o Sistema Nacional de Dados do Detran causou atraso na entrega de documentos no Brasil inteiro. Sérgio Ronaldo disse, na reportagem, que os problemas já estavam sendo corrigidos e deu a previsão de quando o serviço seria normalizado: “Acredito que em dez, doze dias, o sistema esteja, normalmente, funcionando de forma satisfatória” (Jornal da Pajuçara Noite, 2009).
Quase um mês depois, a produção do JP Noite recebeu duas ligações de pessoas que também estavam com o problema de Flávio Rogério. Logo, foi constatado que o coordenador de Controle de Condutores do Detran se enganou na previsão dada na reportagem.
Uma das pessoas que ligou foi Walter Silva. Ele tinha sido assaltado e perdeu a habilitação. Ele solicitara a segunda via da carteira de motorista há um mês, bem na época da primeira reportagem sobre o assunto veiculada pelo Jornal. Ele também era motorista e, por isso, estava com medo de ser demitido, por não poder exercer a profissão. Walter já tinha ido duas vezes ao Detran, procurar pelo documento, mas não conseguiu.
Johnny Lucas, outro personagem, também teve o documento roubado. Há 35 dias tentava uma nova CNH.
A reportagem da TV Pajuçara voltou, então, a procurar o coordenador de Controle de Condutores, Sérgio Ronaldo. Ele contou que a demora toda era porque, agora, a carteira é emitida pelo Departamento Nacional de Trânsito. "Toda tarde a gente tenta emitir CNH e não consegue. É uma situação de calamidade pública nacional" (Jornal da Pajuçara Noite, 2009).

4.4 As denúncias que pautam a imprensa

A maior vitória de uma equipe envolvida em uma pauta de Jornalismo Comunitário, é quando a autoridade responsável pela resolução dos problemas apresentados, não só resolve o caso, como se posiciona perante todos os veículos de comunicação para prestar esclarecimentos. Uma matéria veiculada pode levar a uma coletiva de imprensa para que seja feita a prestação de contas, por exemplo.

4.4.1 – Trajeto ônibus/Mercado

No caso desta reportagem, a Polícia Militar divulgou uma Nota Oficial, que foi repercutida em outros meios de comunicação.
Em abril chegou à redação, por telefone, a denúncia de que motoristas e cobradores de ônibus que faziam a linha parando no terminal rodoviário do Mercado da Produção estavam queimando o ponto. A gíria significa que os motoristas não paravam no local. O motivo: A violência.
A denúncia, feita pelo usuário de transporte público, Jurandir Dias de Araújo, foi checada junto ao 1º Batalhão de Polícia Militar, que, por telefone, informou que a segurança na área já havia sido reforçada.
Mas, ao chegar ao local, a equipe de reportagem encontrou um ambiente abandonado, vazio e sem segurança alguma. A repórter Rachel Amorim diz na matéria: “Desde o último domingo, o terminal do Mercado da Produção serve apenas como ponto de encontro de amigos. Por conta dos constantes assaltos, os ônibus não passam mais pelo local. Com medo da violência, motoristas e cobradores preferiram mudar o itinerário dos coletivos.” (Jornal da Pajuçara Noite, 2009).
Durante a reportagem, vários passageiros reclamaram da falta de ônibus no terminal. Um dos entrevistados, revoltado, chegou a dizer “Não existe ônibus, não existe segurança, não existe nada”. Para pegar ônibus, eles tinham que andar cerca de um quilômetro até o terminal da Praça da Faculdade.
A reportagem se dirigiu até o local e, após um grande trabalho de convencimento, conseguiu que um motorista falasse. No entanto, ele só aceitou colaborar com a matéria se não fosse identificado. De costas para a câmera, ele relatou:
De vez em quando é que passa dois, três policiais, mas não fica assim, diariamente. A gente, todo dia está lá. Todo dia tem assalto, todo dia é ladrão. O pessoal coloca a feira dentro do ônibus, o ladrão leva. O pessoal está ali com feira, leva. O pessoal está com celular, só basta localizar o celular, oxe, lá vem o bote. (2009).


A polícia foi ouvida na entrevista e reconheceu que o local era crítico. O policial disse que a resposta imediata seria o reforço no policiamento motorizado. Ou seja, a polícia iria aumentar o número de viaturas fazendo a ronda no local.
Oito dias depois da veiculação da reportagem, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que os ônibus haviam voltado a incluir o terminal rodoviário do Mercado da Produção no itinerário. A nota da Polícia prometia ainda o policiamento ostensivo nos horários de maior movimento e rondas nos demais horários. Além disso, os policiais iriam circular dentro dos ônibus para aumentar a segurança.
Vários veículos de comunicação, inclusive o de organizações concorrentes do Pajuçara Sistema de Comunicação, como é o caso do site Gazetaweb.com, das Organizações Arnon de Mello, repercutiram o fato, divulgando que os ônibus já haviam voltado ao itinerário normal.
Depois de uma reunião realizada na manhã desta terça-feira (28), no quartel geral da Polícia Militar, entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Alagoas e o comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), ficou decidido que os coletivos vão voltar a circular no terminal de ônibus do Mercado da Produção, bairro Levada. (Gazetaweb, 2009).

Após ter a segurança garantida pela Polícia Militar em uma reunião ocorrida na manhã ontem, 28, o Terminal Rodoviário do Mercado da Produção foi reativado nesta quarta-feira, 29. O motivo do “boicote” dos rodoviários ocorreu devido aos frequentes assaltos cometidos contra passageiros e coletivos no terminal. (Alagoas24horas, 2009).


Outros sites apenas reproduziram o release divulgado pela Assessoria de Comunicação da Polícia Militar de Alagoas, como as páginas Alagoas Em Tempo Real e Primeira Edição.
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes de Alagoas (Sinttro/AL) e o comandante de Policiamento da Capital, Luciano Silva, decidiram em reunião realizada na manhã de hoje (28), reativar o terminal de ônibus do Mercado da Produção, interditado por questões de segurança. (2009).


Logicamente, a Polícia Militar só se posicionou desta forma porque o problema havia sido exposto na mídia de forma eficaz, em se tratando de Jornalismo Comunitário.
Este trabalho procurou a pessoa que denunciou a violência no terminal, por telefone. Jurandir Dias de Araújo confirmou que, depois da reportagem, o problema foi resolvido.


4.4.2 – Insegurança na Ufal
Outra matéria, mais recente, que gerou uma grande repercussão, foi o caso da insegurança no Campus da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
No dia 23 de Outubro de 2009, uma aluna foi sequestrada enquanto estacionava o carro dentro da UFAL. Os bandidos a levaram para um canavial e roubaram cartões de crédito e senhas, além do dinheiro que estava na carteira. Eles a deixaram no canavial e fugiram. A vítima teve que caminhar até a rodovia para pedir ajuda.
Uma semana depois, um assalto a uma agência bancária que fica dentro do Hospital Universitário, terminou em tiroteio e morte. Três homens armados assaltaram a agência pouco antes do meio-dia e levaram algo em torno de R$ 140 mil além de vários celulares. Na saída, eles tentaram furar o bloqueio imposto pela Polícia na saída do HU. Todos estavam vestindo jalecos brancos, e se passavam por médicos e enfermeiros.
Procurados pela produção do Jornal da Pajuçara Noite, alunos da Universidade disseram que o clima sempre foi de insegurança. A repórter Rachel Amorim foi deslocada até o Campus, para constatar a situação vivida pelos estudantes e funcionários.
Alguns alunos foram entrevistados e todos se disseram inseguros dentro do Campus. Uma aluna disse que conhece casos de colegas que foram ameaçadas e estupradas lá dentro. Outro estudante falou que o jeito era contar com a sorte. “Você não vê policiais, você não vê seguranças. (...) É você e você aqui.” (Jornal da Pajuçara Noite, 2009).
A Universidade foi ouvida na matéria, através do superintendente de Infra-Estrutura, Flávio Barbosa. Ele contou à reportagem que a UFAL investia em segurança, mas também era vítima da violência.
Este ano já ampliamos em mais de 50% o efetivo em relação à segurança na UFAL e entendemos que, dentro do projeto de segurança que foi feito, nós temos condições de dotar a UFAL de segurança. Agora, a questão do dia-a-dia, da passagem, tem que envolver também a prefeitura, o governo, enfim. Não é um problema isolado da UFAL, a UFAL está como vítima também, neste contexto da segurança. (2009).


A matéria repercutiu na imprensa e, na tarde do dia seguinte à veiculação da matéria, a reitora da Universidade Ana Dayse Dórea convocou uma coletiva para falar sobre a falta de segurança na Universidade. Na entrevista, acompanhada pela repórter Lenilda Luna, Ana Dayse disse que, em 2009, foram investido 6 milhões de reais em segurança na UFAL e que, atualmente, 106 homens fazem a segurança do Campus e do HU.
A matéria é desenvolvida com base em promessas de melhoria na segurança da UFAL.

4.5 Quando uma denúncia puxa outra

Algumas vezes, alguma coisa está tão errada que a equipe de jornalismo consegue fazer mais de uma denúncia envolvendo a mesma situação. É o caso dos quiosques de comidas na orla de Maceió. Na primeira matéria, por telefone, a produção do JP Noite recebeu a informação de que os polêmicos mixes da orla estavam abandonados. João Mariano, proprietário de um lote, entrou em contato para relatar que, ao invés de ponto comercial, os quiosques serviam como moradia para desabrigados.
Ao chegar ao local, a equipe de reportagem encontrou um morador de rua que habitava um dos boxes e deu entrevista, se divertindo do fato de que os comerciantes estavam vendendo no sol, enquanto ele estava ocupando o local.
Um dos grandes motivos para a queixa dos proprietários é que cada box custou de 10 mil a 20 mil reais, numa licitação concorrida, segundo o texto da repórter Rachel Amorim.
Os chamados mix foram construídos para padronizar as barracas entre a Pajuçara até a Jatiúca. Depois de uma licitação marcada por polêmicas no final do ano passado, os donos dos espaços foram definidos, mas até hoje permanecem nas antigas tendas, montadas na areia da praia. (...) Com o tempo, os quiosques se transformaram em depósito de lixo e sujeira. (Jornal da Pajuçara Noite, 2009).


Uma semana antes da reportagem, a prefeitura havia começado a distribuir as chaves dos mixes, mas os comerciantes se recusavam a ocupar o local. Segundo a matéria, os estabelecimentos construídos recentemente já precisavam de reformas na estrutura.
Na matéria, a prefeitura não foi ouvida, mas em pouco tempo, os comerciantes tiveram as reclamações atendidas.
Procurado por esta Pesquisa, seis meses depois, o denunciante, João Mariano, contou que, depois da reportagem, os quiosques foram arrumados e entregues aos proprietários, vencedores de licitação. No entanto, ele aproveitou a ligação para fazer mais uma denúncia: Por falta de instalações elétricas adequadas, os comerciantes eram obrigados a fazer ligações improvisadas, classificada por ele como gambiarras.
Sabendo disso, a produção do Jornal da Pajuçara marcou uma nova matéria com os donos de mixes. O horário escolhido não poderia ter sido melhor: A noite, quando os permissionários ligam lâmpadas a fios que circulam a área. A maior preocupação é com a segurança, como relatou o repórter Nilton Leal, na matéria veiculada em 20 de outubro, no Jornal da Pajuçara. “Por se tratar de iluminação improvisada, a segurança não é total, e um curto circuito aqui pode resultar num grande incêndio, já que muitos dos fios estão bem próximos ao telhado da barraca” (Jornal da Pajuçara Noite, 2009).

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