sábado, 19 de dezembro de 2009

Anexo 3

Entrevista gravada com a jornalista Rachel Amorim, repórter da TV Pajuçara.

- Existe alguma diferença na elaboração de uma matéria de Comunitário e uma de solenidade política, por exemplo?
Existe sim, porque são realidades distintas. Numa matéria da solenidade, tudo o que acontece já está previsto, porque a gente tem release, normalmente, tem assessor pra explicar o que a gente não entende. Quando o repórter chega pra fazer uma matéria sobre um buraco na rua, ou um posto de saúde que não funciona, a gente não tem essas facilidades, então o jornalista é obrigado a captar a importância daquilo para a comunidade, saber quais os impactos que aquilo vai trazer, enfim, tem que captar o que está no ar.

- O repórter o representante da emissora na rua. Ele recebe sugestões de telespectadores também?
Sempre tem gente que reclama das coisas. Quando a gente vê que vale a pena, que é uma coisa que pode afetar a muita gente, vale passar adiante pra redação. Tem um caso que eu lembro bem, que foi de um homem que trabalhava de motorista e estava com a carteira de habilitação emperrada lá há quase um mês. Eu estava no Detran, fazendo uma entrevista com o presidente de lá, Antônio Sapucaia e vi que tinha um homem reparando. Achei normal porque, normalmente, as pessoas prestam atenção no trabalho da imprensa. Causa aquela curiosidade. Mas ele me abordou quando eu terminei. Me contou o caso dele e me deu o telefone. Eu passei adiante, para uma das produtoras do Jornal e ela ligou para conferir. Depois, a produção entrou em contato com o Detran e constatou que o problema dele era o mesmo de muita gente. Neste caso, cabe fazer uma matéria para esclarecer o que está acontecendo e cobrar para que seja resolvido.

- Quais são os principais desafios de se fazer jornalismo comunitário?
Muitas vezes, o primeiro desafio é tentar entender o que está acontecendo. Num protesto, por exemplo, as pessoas ficam muito alteradas. Elas falam com o repórter quase que agredindo. A gente sabe, lógico, que elas não estão colocando a culpa na gente, mas é como se nós fossemos a única alternativa, então elas ficam querendo explicar e se enrolam. As vezes acontece também de muita gente querer falar ao mesmo tempo. Isso deixa o repórter meio desnorteado. Outro desafio é que você meio que compra uma briga, assim, entre aspas. Você vai lá no secretário, no prefeito, no governador, enfim, no responsável e pergunta, questiona, cutuca mesmo até ouvir tudo o que ele tem a dizer. Acontece de eles acharem que você está querendo prejudicar, quando, na verdade, quem está prejudicada é a comunidade. Mas, nós, como agentes sociais, temos a função de chegar lá, questionar e cutucar mesmo e tentar resolver. É assim.

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